terça-feira, 27 de julho de 2010

EDUCAÇÃO E CAPITALISMO: UMA RELAÇÃO POSSIVEL?

Tayanna Vieira Lima*


Ao chegarmos ao século XXI, a era do pós modernismo e fenômeno da globalização, com a crise estrutural do capitalismo, propomos entendermos o papel social da escola e o modelo de educação desse momento. Nesse contexto o sistema educacional esta voltado para atender as exigências do sistema capitalista, tornando-se um instrumento de reprodução do mecanismo de exclusão social promovendo assim grandes desigualdades socioeconômicas. Com essa nova era e estruturação de um mundo repleto de inovações e transformações no campo tecnológico, é esperado da educação mudanças no método de ensino, mudanças essas que possam desenvolver no sujeito capacidades, habilidades, ser ágil, comunicativo e acima de tudo saber lidar com inesperado, conseguir adaptar-se a novas situações com rapidez. Assim o mercado de produção irá ter mão de obra qualificada, para atender as exigências instaladas no presente século.
Nesta perspectiva, as reformas educacionais vão de encontro a uma nova sociedade, que responsabiliza a educação em solucionar todos os problemas gerados pela crise estrutural do capitalismo. Portanto iremos abordar as pedagogias da competência, aprender a aprender, formação profissional e continuada, enfim todas as novas propostas que o sistema educacional usa para contornar a situação de uma sociedade escravizada pelo capitalismo, onde a exploração do homem pelo homem é um resultado do desenvolvimento do capital. Assim buscamos no decorrer deste estudo fazermos uma analise das referidas propostas pedagógicas que foram citadas acima, pois teremos uma compreensão clara e entendermos a intrínseca relação entre educação e o poder de reprodução do sistema capitalista.
As novas concepções educacionais que chega a sociedade contemporânea impõem à escola várias funções no sentido de suprir as necessidades da sociedade globalizada, pois o modelo de educação presente trata de responsabilizar o individuo a adquirir competências máximas, buscando diversos conhecimentos, qualificando-se para está inserido no mercado de trabalho da sociedade competitiva. Nessa nova ordem de sociedade globalizada a educação recebe novas orientações através dos documentos da UNESCO e dos Parâmetros Curriculares Nacionais que pregam a autonomia, individualidade e a praticidade em obter conhecimentos. E visível à controvérsia do que está escrito nos documentos ou leis da educação e os discursos que escutamos com afirmações falsas como: ”EDUCAÇÃO DE QUALIDADE PARA TODOS”, portanto o sistema educacional toma outro rumo que de acordo com Saviani: “o seu papel é difundir a instrução, transmitir conhecimentos acumulados pela humanidade e sistematizados lógicamente (2009, p.05)”.
Neste contexto de mudanças o sistema educacional passa a defender um currículo escolar que prepare o indivíduo para assumir o perfil de trabalhador exigido pelo sistema capitalista, sendo necessárias um conjunto de aptidões e capacidades para enfrentar os desafios da sociedade do conhecimento, competências, flexibilidade, habilidades polivalente. Ocasionando o desenvolvimento de um sistema educacional que intensifique o dualismo educacional, pois assim é dada prioridade a formação do trabalhador qualificado, sem conhecimentos intelectuais, apenas conhecimentos técnicos e mão de obra especializada para assim servir o mercado de trabalho. Nesse cenário a instituição escolar seria responsável em desenvolver nos jovens capacidades citadas acima, mascarando a realidade imposta pela crise do capital, dando lugar ao ensino profissional, dispondo dos melhores cursos profissionalizantes e escolas técnicas disponíveis, pois a partir da década de 1970 foi aprovada a Lei Diretrizes e Bases N° 5.692/17, implantando o ensino profissional no segundo grau, destinando-se as camadas populares, para assim ingressarem no mercado de trabalho e consequentemente dificultando o acesso dessas pessoas ao outro tipo de ensino que possibilitasse a formação de cidadãos emancipados e livre da exploração do capitalismo.
Na tentativa em adequar a escola a sociedade atual a pedagogia do aprender a aprender ganha destacada importância para educação básica, desenvolvendo aprendizagem por si mesmo o educando estaria buscando sua autonomia e/ou independência, o autor Newton Duarte relata que: “o aprender a aprender aparece assim na sua forma mais crua, mostra assim seu verdadeiro núcleo fundamental: trata-se de um lema que sintetiza uma concepção educacional voltada a formação da capacidade adaptativa dos indivíduos (2001, p.18).”
Diante dessa realidade a educação se torna um objeto de vendas, surgindo várias escolas e universidades privadas que buscam obter lucros, comprometendo muitas vezes a qualidade do ensino, pois muitas das formações dos profissionais da área educacional são feitas de forma aligeirada, semi-presencial e até mesmo a distância, proporcionando ao estudante a comodidade em fazer um curso superior em casa, mediada por novas tecnologias. Dessa forma o estudante obtém o seu certificado de nível superior e garante um emprego na sociedade capitalista. Podemos julgar que a educação oferecida pela o Estado é mínima em relação aos conhecimentos culturais e históricos, camuflando os interesses reais da educação aprofundando a pobreza e as desigualdades em um país periférico.
Portanto a situação da educação brasileira é gritante com salários defasados, salas de aulas superlotadas, professores com formação de má qualidade, desvalorização do docente, estruturas físicas comprometidas, falta de material, falta de propostas pedagógicas eficientes, ausência de recursos financeiros e a falta de compromisso dos nossos governantes, enfim será que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi desenvolvida para atender as reais necessidades da educação brasileira? Com essa realidade citada acima é importante informamos o quanto o nosso país investe na educação brasileira: “O Brasil investe na educação menos de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) – que é a soma de todas as riquezas produzidas pelo país. (Fonte, 2008, Warody Lombardi).
Na sociedade atual, o sistema educacional tem seu ideal contraditório quando se fala em formação de cidadania para todos, tratando apenas de preparar indivíduos para os ditames da sociedade capitalista. Em uma sociedade cada vez mais globalizada, cheia de inovações tecnológicas o sistema educacional brasileiro perde sua essência que seria educar para a cidadania e lugar de socialização do educando, onde todos tivessem acesso de forma igual com qualidade, essa seria o tipo de educação ideal para todos. Porém com a chegada da sociedade da informação o espaço escolar com os novos paradigmas educacionais buscam ajustarem-se as transformações ocorridas com o desenrolar do avanço tecnológico, que a nosso ver, a escola hoje desenvolve um papel pratico, funcional e redentor, cumprindo as orientações dos organismos internacionais e a própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que parece não atender as necessidades da educação no nosso país periférico. Veremos o que diz a Lei Diretrizes e Bases no artigo 39: “ A educação profissional, integrada as diferentes formas de educação ao trabalho, a ciência e a tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva.” Percebemos então que o sistema educacional é orientado a seguir as exigências de uma ordem econômica, obrigando aos indivíduos a procurarem uma melhor qualificação profissional em busca da corrida por um emprego diante da crise estrutural do capital, pois na sociedade contemporânea prega-se um discurso de empregabilidade, o individuo que não estiver qualificado profissionalmente tende a ficar fora dos padrões da sociedade que nos referimos anteriormente, pois:

“Neste contexto, observa-se uma profusão de discursos que articulando-se a partir de conceitos como competitividade, produtividade, eficiência, eficácia, equidade, competências, novas qualificações, entre outros, destacam a educação como elemento estratégico para a implantação dos processos de modernização almejados (CAMPOS, SHIROMA:1999; p.484).”


Nesta realidade, de grandes avanços, nos últimos dez anos que se passaram o Ministério da Educação (MEC) criou uma nova modalidade de ensino: a educação à distância, em 20 de dezembro de 1996 a Lei Diretrizes e Bases (LBD), Lei Nº 9.394 no artigo 80 decreta ao poder público: “o papel de incentivar o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância em todos os níveis e modalidades, e de educação continuada.” A intenção dessa nova modalidade de ensino trás em suas entrelinhas uma ideologia em democratizar o ensino levando em todas as regiões do nosso país de forma acessível o conhecimento intelectual de uma forma prática, ou seja, formando mão-de-obra especializada para o mercado de trabalho e profissionais de forma aligeirada e continuada, assim o governo contém gastos e responsabilidades, e caberia ao sujeito a responsabilizar-se de melhorar sua vida através da educação, em busca de solucionar os problemas sociais acarretados pela crise estrutural do capitalismo. Portanto o sistema educacional perde o seu espaço característico da sala de aula e a relação interação pessoal entre aluno e professor, para um sistema tecnológico avançado através de aulas virtuais (conversas, explicações sobre o determinado conteúdo).
Contudo percebemos que a política educacional por meio da EAD nos aponta um discurso falseador em prol da democratização do ensino, beneficiando as redes privadas e atendendo os interesses econômicos do mercado, dispondo de um ensino de ma qualidade para a população refinando a exclusão social e o não conhecimento intelectual.
Dessa forma concluímos que as reformas educacionais atuais, expressam a idéia de adquirir capacidades individuais e um conceito de empregabilidade, que possam assim garantir a inclusão do individuo no mercado de trabalho, atendendo a nova ordem mundial, que é o capitalismo.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LBD 5.692/71.


CAMPOS, Roselane Fatima; SHIROMA, Eneida Oto. O resgate da Escola Nova nas Reformas Educacionais Contemporâneas. Santa Catarina,1999.


DUARTE, Newton. As Pedagogias do "Aprendeer a Aprender" e algumas ilusões da assim chamada sociedade do conhecimento. Revista Brasileira de Educação. São Paulo,2001.


SILVA, Josias Ferreira; SILVA, Joseane S. F. da; ZAMAI, Carlos Aparecido. As Reformas Educacionais no Brasil. Movimento e percepção, Espirito Santo do Pinhal, SP,V.8, n.11, jul./dez. 2007.